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Aceitação Interna é Água Doce

Por Patricia Almeida Ashley - 05 de Maio de 2013

Um dos livros mais eficazes que eu li para melhor compreender o sofrimento emocional e efeitos psíquicos das dores, desejos e temores foi o Budismo Claro e Simples, de Steve Hagen, publicada versão em português no Brasil pela Editora Pensamento. Volta e meia a aprendizagem a partir das reflexões do livro vem como palavras de Mestre a lembrar-me sobre como sofremos ao não aceitarmos quando não podemos mudar situações.

Daí trago a palavra "aceitação" como a chave-mestre para abrir janelas e portas das almas e corpos, para deixarmos os ventos e novos ares circularem por nossos pensamentos, sentimentos, emoções e gestos. Principalmente para sabermos quando e quais palavras usar e quando devemos simplesmente calar, escutar e assistir, da platéia, o palco das cenas da vida.

Por muitos anos, como bem apontam os traços dos nascidos em anos de Dragão, no ciclo de Áries, ainda mais com ascendente em Sagitário, sem contar a memória genética de imigrantes em diásporas continentais e nacionais, eu acreditava que era bom e necessário explicar o que me move, o que busco, o que faço, o que desconstruo, o que atuo. Só que, ao insistir em explicar e esclarecer, ao invés de pacificar e articular ou agregar, os sentimentos de inércia, de inação, de incômodo ao "jeito que as coisas sempre foram feitas por aqui" eram dominantes. Era como se eu agitasse o lodo das lagoas, por vezes provocando odores e dissabores muito desagradáveis.

Após Budismo Claro e Simples comecei a me entender em toda a história de vida, altamente ansiosa, buscando ser compreendida e, principalmente, ser aceita externamente, junto a uma não aceitação interna diante do que eu não conseguia mudar ou compreender.

Só que o que o tempo, a maturidade e o esclarecimento que a experiência de viver nos traz é que a aceitação interna é um gesto de experienciar uma situação sem a intenção de mudá-la enquanto se manifesta. Após sua manifestação, os fatos e sensações passam, as memórias ficam, as experiências se enriquecem e podemos então melhorar a forma de agir, de falar, de sentir.

Ao nos apaixonarmos, resistimos e negamos o que não atende aos nossos desejos. Lutamos, queremos, insistimos. Como pimenta que arde, por vezes precisamos para aquecer os espíritos e os corpos, mas com devida cautela.

cachoeira do moinhoEnquanto que, ao amarmos, aceitamos o outro, como gesto de honestidade de nossos sentimentos, cuidamos do outro e de nós como fruto da compreensão de que seres são valiosos em si, em existirem.

Como água doce, límpida e pura, o amor nos lava e renova, nos pacifica na aceitação interna da impermanência e do encantamento dos nossos sentidos e sentimentos.

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